Escrito por aninha às 11h35
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Dejavú

Sons de músicas e rocks... Palavras inocentes.
Lembranças... Rebeldes... anjos, mas rebeldes...
Era assim naquela época...
Canções de protesto... mas de amor puro e verdadeiro.
Imagine:
"Sr. Carteiro, me entregue a carta do meu amor..."
é o que diz a canção... Mr Postman...
Era tão gostoso dançar de rosto colado ouvindo:
"Je t ´aime moi non plus" quase sem sair do lugar...
grudado no chão... corpo colado...
entre suspiros e beijos "roubados", que
eram "roubados" de verdade.
A gente queria dar o beijo,
mas sempre fingia que não.
E aquela inocência dos primeiros toques...
um arrepio na espinha.
Rosto vermelho de extremo pudor...
não sabia como disfarçar...
sentindo tudo e querendo tudo,
mas sem querer se entregar.
Que roupa colocar?
Um apropriado "Inferno de Dante".
Batom... perfume... sapato alto...
vestido vermelho... que lindos!
A gente ficava linda mesmo.
Eram os "Bailes de Formatura", "Bailes de 15 anos",
os "saraus" aos domingos, fumar escondido...
tomar "hi-fi", "cuba libre"... disco novo dos Beatles.
Uma disputa colossal... saber todas as músicas de cor.
Aprender inglês... Todo mundo tinha uma "banda",
todo mundo tocava violão.
Faziam-se versos... namorava-se...
Olhares de soslaio... nada de "encarar".
Sutilmente dizendo, "eu quero",
e "eles" sabiam muito bem como chegar.
Não sei como é que faziam...
isso sempre me intrigou.
Mas era uma química, uma fusão de sentimentos.
Na verdade, uma explosão deles.
E nos bailes...
Tinha aquela história de "tirar a menina para dançar"...
E era um "vexame" ficar sentada...
Luz que girava...Luz Negra... e se não se tomasse cuidado,
ficava aparecendo tudo... calcinha e soutien... um horror!
Vi muitas meninas terem de ir para casa para se trocar...
Roupas coloridas, todos de cabelos compridos, meninos e meninas,
de costas não se sabia quem era quem...
O símbolo "V" nos colares, anéis, brincos e qualquer
tipo de enfeites e bugigangas...
Paz e Amor!
Dançar sozinhos... separados "Sugar, Sugar".
Voltar à pé pra casa, suados, cansados...
com os sapatos nas mãos... todos.
Encher o quarto de fotos dos artistas preferidos...
Ter um caderno de perguntas e respostas...
Eram tão engraçadas as perguntas...
Melhores ainda eram as respostas.
Todas as meninas tinham um.
E tinham também os "códigos"...
A gente inventava...só para ninguém saber,
se por acaso caísse em "mãos erradas",
que, normalmente, era a mãe da gente.
Ler romances...
Roubar as "revistinhas indecentes" dos irmãos mais velhos.
Andar de ônibus... sentar na janelinha, ou no último banco,
só porque pulava pra caramba!
(Naquela época quase ninguém tinha carro.)
Ir ao cinema aos sábados e não ter o dinheiro da
passagem de volta porque gastou no "drops dulcora"( Senti até o sabor agora...)
Ou na caixinha de "chocolate com passas ao rum".
Assistir aos filmes de Jerry Lewis ou do 007...
dar risada de todo mundo na rua, no cinema...
na escola... rir o tempo todo...
Assistir sessão da tarde...
Preocupações ??? Quais ???
Um dia...uma notícia dada na TV:
"O mundo vai acabar."
Olhamos uns para os outros
e sabe o que a gente fez?
Foi pra rua jogar voleibol...
no meio da rua... sim, no meio da rua...
era onde sempre podíamos jogar...
nada de carros...
e sabe o que aconteceu ???
O mundo não acabou, nem aquele dia,
nem quando passou o ano 2.000.
O que talvez tenha acabado foi a inocência...
a irreverência sem maldade...a rebeldia comportada...
porque, tudo aquilo, era o jeito de sermos felizes...
Lembranças que só tem,
quem viveu tudo isso...
Só quem viveu essa época, é que pode sentir
e saber, o que é dançar ao som de
"I wanna hold your hand".
(Ctrlc + Ctrlv do TELICITEMUS)
Vocês já passaram por situações que parece já ter vivido antes? De repente você se pega em tal momento e pensa: "Putz...parece que eu já estive nesse lugar antes". Ou então "isso não me é estranho...".
A esse jogo de pensamentos, que não é fruto de sua imaginação e sim, pura lembrança mesmo de um passado muito, mas muito distante, damos o nome de Dejavú.
Comigo já aconteceu várias vezes. Frequentemente, acontece com meus sonhos. Eu sonho com tal coisa e, quando cai minha ficha, estou vivendo o meu sonho ou, encontro as pessoas do meu sonho, e por aí vai.
E é sempre incrível, porque eu nunca havia estado naquele lugar e, sentir essa sensação me dá um certo poder de, digamos, poder sentir algo que não são todas as pessoas que sentem. Meio loko...
Mas vcs devem estar perguntando por que eu postei aquele texto lá em cima. Outro dia, eu e minha Sócia estávamos trocando idéia sobre essa época (assuntinho básico entre nós), década de 60, 68 (o ano que não terminou), pulamos pros 80 e, ela pára tudo e diz: "Ana, vc pode acreditar, nós vivemos nesta época".
Eu parei. Fiquei pensando por alguns instantes e parei de novo. Posso eu ter vivido mesmo naquele tempo e, estar aqui, agora, postando esse texto? Posso sim. Como? Ah....outra hora eu explico. Nem foi tempo perdido.
Escrito por aninha às 13h39
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::Frase de Efeito ::
retirada do zeroe-zine
Não queria acumular você em meus braços, mas não me acomodo quando penso que
você está apenas de passagem; quero uma lembrança que ainda não tenho,
daquela música, daquela opinião, e acumulo tudo isso em uma mesma memória.

Quando eu digo a vocês que Rafa Losso é o VJ cabeça da MTV, talvez, a única salvação da categoria em quase 15 anos de hospedagem brasileira, eu sei que não estou exagerando. Quando eu me refiro ao zeroe-zine, neste blog, me refiro ao site do bunitinho que, com toda sua inteligência e requinte, elabora frases e textos que dizem tudo o que não conseguimos dizer.
::EDITORIAL:: retirado da edição quarenta e dois do zero e-zine
A gente nessa nossa fase consegue juntar
tantos pensamentos
tantas emoções
e referências
e tantas pessoas
em torno de pensamentos
e idéias parecidas
quase repetidas
e emoções
que existem nos quatro cantos do mundo
até mesmo com a gente mesmo.
A gente consegue se a gente tenta
nessa nossa fase
se arrisca
e alimenta
um pouco de espera
e faz o que a gente acredita
que nos faz falta.
E quando a gente percebe
que existem mil pessoas por perto
a gente sente um certo tapa
que a gente não esperava.
Como a gente consegue
se a gente
faz parte do primeiro grupo
a falar o que percebe
sem que a gente saiba
aonde a gente
vai parar?
pela nossa espera,
rafa zero.
Escrito por aninha às 11h56
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